De acordo com Portinho, para tudo há um custo, seja ele financeiro ou emocional. Almoçar fora, por exemplo, tem um gasto muito maior do que simplesmente aquele cobrado no restaurante – é preciso se deslocar até o estabelecimento, ida e volta, o que custa, também, combustível. Adquirir ações de uma empresa vai muito além de simplesmente colocar capital nela; afinal, a pessoa está investindo, acima de tudo, confiança nos bons rendimentos da companhia.
É possível pensar, e isso com certeza vem à mente num primeiro momento, que as pessoas ricas são aquelas que usam roupas de marca, têm um Porsche ou Ferrari do ano, casa luxuosa e que compram tudo o que desejam. Geralmente, associamos a riqueza a bens caros, mas Portinho revela que esse é um mito construído pela sociedade, motivado, sobretudo pela questão de status. “Quando se vê um sujeito entrar com uma Mercedes-Benz zero-quilômetro em um edifício da Avenida Vieira Souto, de frente para a praia de Ipanema, pensa-se na hora: “Esse é rico!”, afirma Portinho.
No entanto, a verdade pode ser outra. Segundo o autor, nem sempre uma pessoa que demonstra riqueza a tem realmente. Pode ser que o gasto com o que não é essencial seja muito maior que o fluxo financeiro necessário para se viver bem. Nesse caso, há uma constatação: “Ser rico nada tem a ver com a posse de bens de luxo, mas com equilíbrio e sustentabilidade nas finanças pessoais”.
E, para alcançar esse equilíbrio, Portinho pede que sejam observados três conceitos importantíssimos, são eles:
1-Passivo de subsistência (Psub) – Passivo, é a despesa necessária para se chegar a um fim. As empresas, por exemplo, têm como passivo gastos com empréstimos, dívidas feitas para implementar novas tecnologias, etc. O Psub é o valor das despesas que são essenciais para se viver bem. Segundo o autor, isso varia dependendo do padrão de vida de cada indivíduo. Pode ser que algumas pessoas considerem internet e TV a cabo, por exemplo, itens fundamentais, mas Portinho adverte que é preciso refletir sobre a real necessidade dessas despesas.
2-Passivo de conforto (Pcon) – É aqui que entram aqueles itens tão cobiçados, porém desnecessários. Para Portinho, às vezes os itens são os mesmos, mas o preço é elevado devido à embalagem ser de determinada marca ou ter certa procedência – lembra-se da questão de status que falamos anteriormente?
3-Ativos de remuneração – Para Portinho, os recursos financeiros que irão seqüencialmente tornar a pessoa rica não podem ser restritos àqueles provenientes da força de trabalho. A liberdade financeira equivale a poder cobrir as necessidades básicas por meio de fontes diversas (investimentos em ações, títulos públicos, debêntures, imóveis, etc.), que vão além do salário mensal e são chamados de ativos.
É poupando que se aprende a poupar
Para quem não sabem exatamente quais são as opções do mercado para investir o capital, Portinho define as principais em seu livro. Confira algumas:
1-Renda fixa.
Caderneta de poupança – É a modalidade mais tradicional dos brasileiros. Apesar do que muitos pensam, a poupança apresenta riscos. Ao depositar o capital, a pessoa está emprestando seu dinheiro ao banco, que, se vier a quebrar, pode levar seu montante junto. O rendimento da poupança é de 6,5% a 7,5% ao ano, porém é preciso retirar dessa porcentagem o valor da inflação. “O Brasil tem apresentado taxas de inflação próximas a 4,5% ao ano, o que significa que a rentabilidade real da poupança tem estado em torno de 2% a 2,5%”, explica Portinho.
Títulos Públicos – Podem ser comprados no Tesouro Direto por meio de um banco/corretora ou adquiridos em formato de fundos. De acordo com o título escolhido, pode-se chegar a 12% de rentabilidade bruta anual.
Certificado de Depósito Bancário (CDB) – O investidor fica em posse de um título de dívida do banco, que utiliza o dinheiro para investir em suas atividades. Assim, o risco do CDB está atrelado ao próprio banco e a rentabilidade é próxima à dos títulos comprados no Tesouro Direto
Debêntures – Atuam como títulos de dívida e oferecem uma taxa de juro como retorno, além de outras garantias, que variam de acordo com as condições específicas do emissor. A rentabilidade chega a ser três vezes maior que a da poupança.
2. Renda variável
Ações – Representam uma forma de remuneração variável porque os rendimentos das ações não são constantes, isto é, variam conforme o desempenho do papel no mercado. Portinho acredita que investir em ações é o mesmo que ter uma poupança a longo prazo. Segundo ele, o brasileiro ainda vê o investimento em ações como especulação, em que é preciso estar conectado 24 horas por dia e aplicar muito dinheiro. Utilizando-se de exemplos reais dos desempenhos de algumas empresas, Portinho prova que a realidade não é essa. Com uma visão de longo prazo e estratégias específicas, o autor mostra que é possível trabalhar com a carteira de ações.
Essas são algumas opções do mercado e cabe ao investidor procurar as que se adéquam mais ao seu perfil, afinal, como sugere Portinho: “O investimento tem riscos, mas o principal deles é o desconhecimento”.
Caso nunca tenha refletido sobre o que é ser rico e quanto isso custa, saiba que, antes de começar a ler o primeiro capítulo do livro, é esse o questionamento que o autor faz. Ao se livrar das definições de senso-comum sobre o que é ser rico, Portinho afirma que fica muito mais fácil traçar um plano de riqueza pessoal: “Cada pessoa e cada família têm características únicas, e assim devem ser tratadas no diagnóstico de suas finanças pessoais”.
Entretanto, as dicas de Portinho a todos que desejam traçar seu “mapa da riqueza” são as seguintes:
· Reconheça seu padrão de consumo, identificando o que é desejo e necessidade e como escolher entre os dois.
· Calcule com precisão seus passivos.
· Calcule seus ativos.
· Identifique sua posição para alcançar a liberdade financeira por meio de seu IRP.
· Calcule o tempo e os esforços necessários para se tornar rico.
· Defina seus portfólios de investimentos.